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Pluralidade

Um vislumbre em mármore de Carrara; obra cética de Nietzsche, feita memória. O escárnio lúdico da obra celestial insufla vida à arte do pobre poeta. Guardo um significado esdrúxulo num museu que reverencia a tua altivez. Sou um poeta singular, conformado à tua pluralidade e à tua rispidez.

Tudo que criei por você

Tudo que criei por você. Você que, em viagem rasa, vaga em meus pensamentos. Destino cruel, que me leva a confabular, em delírio, um amor inexistente e que caminha com as minhas dores nesta ilusão. Traços nítidos de realidades criadas por uma força maior. Força que me fez acreditar que era você a pessoa a qual criou um destino para o fim da escuridão em que mergulhei. Deu-me propósito dentro duma ilusão. Um propósito motivado por você que não existe num mundo real. Destino criado por mim, por minha arte, pelo mundo que construí por você...

Nossas desavenças

Você já não faz parte de meus pensamentos, vida ou sonhos, só que, repentinamente, quando penso no amor que não acredito mais existir, é você que vem à minha mente como sorriso delinquente. Engano-me ao pensar em lhe esquecer, esquecer algo cicatrizado em mim, sonho tatuado em mar revolto de nossas desavenças, amor forjado em proteção que só eu entendi, que vivi à prova de Deus e escondido dos meus... Ricardo Maia  Sovietic_soldier

Ao ar do amanhecer

 Schopenhauer disse que a felicidade é o pequeno intervalo entre a tristeza e o tédio… Nietzsche, com a sua lei do retorno, entendeu que devemos viver o dia como se ele fosse retornar ao amanhecer… Clóvis de Barros diz que a felicidade é aquele curto momento em que gostaríamos que durasse um pouco mais, que gostaríamos que o tempo parasse ali… Eu entendi que a felicidade é o limiar entre o lúdico e o pragmático, em palavras mais claras, sonhar com os pés ao chão… Sonhar com você me faz esquecer as mazelas do caos terreno, purifica-me de toda maldade, sintetiza o bem que não costumo viver… Se eu só tenho você em meus sonhos, recurso-me a acordar… Espero o anoitecer para lhe encontrar, torturo-me ao ar do amanhecer que tira você… Ricardo Maia 

Vislumbre

Em momentos de pequenos vislumbres, sonhos sem firmamentos vêm à minha vida; um acorde é o início do que já desisti, sempre a mesma melodia, o mesmo tom, o mesmo compositor. Meus sonhos solitários são lembranças do que destruí, o meu futuro é o vestígio do que sonhei, são castelos que só se firmam na solidão, é o mar de oportunidades em que você foi apenas um destino em vão... Ricardo Maia  Russiann_poet

Vazio...

Toda vez que tento escrever, o vazio me consome, a dor que alimenta a minha escrita não existe mais, a escuridão preenche toda ferida, já não respiro os textos de amor em dor que criam a minha poesia escrita, o mundo real que se faz à minha frente é o sopro cruel em meus sonhos erigidos em areia à beira do mar. Ricardo Maia  Russiann Poet 

Declínio

Em declínio, um sorriso que nunca existiu; vejo, em neblina, todo amor erigido em rios ilusórios que deságuam em mar de realidade. O mundo real se torna inevitável. A ilusão criada em perfeição de meus mundos mostrou uma linha celestial para buscar numa realidade perversa das ruas em que vivo, esquinas onde o amor é heresia. O que será de minha poesia? Ricardo Maia  Russiann Poet 

Estrangeiro

Sinto-me um estrangeiro, envio cartas sem destino à cidade em que não posso voltar, tranquei-a em nome da lucidez, vivo o mundo real como imigrante em terra hostil. Luto contra mim mesmo para não ultrapassar o limiar da razão, o Orée da floresta que me leva a você... O lugar em que não posso viver... Ricardo Maia  Russiann_poet

Lince negro

Um lince negro, que caça com vigor, vem me consolar. A noite fria, que aquece o meu coração, é o último recurso para me fazer caminhar. A minha visão é turva, nuvens cobrem o meu sonhar, no limiar da felicidade não há mais clareza, a poesia já não é mais a mesma. Jamais imaginaria que acordar de meus mundos seria tão cruel. Cruel comigo Cruel com a poesia Cruel com o lúdico a inventar Sozinho, escrevi coisas que guardei para ti; sem a tua presença vivi, caminhei até aqui. Se me encontrares por aí, ou ouvires o meu nome por lá, saiba que, por ti, lutei e venci... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Prescrita

Tornou-se dor, aquilo que era a solução; jamais imaginei que o seu nome ficaria cravado em meu peito, nome que reluz e afasta o mal. Jamais imaginei ter medo do que há de vir, algo que possa jogar o seu nome num abismo profundo e longe de mim. A falta que o seu escudo de indiferença faz é o laço que me une ao vazio: vazio em filosofia, vazio em amor, vazio em vida sonhada, prescrita em destino que não tenho em mãos. Ricardo Maia  Russiann Poet 

Caos

Muitos dizem que o conhecimento liberta; às vezes, prende-nos no caos... Isso não é uma crônica, um poema ou uma carta, apenas um desabafo perdido em meio ao mundo de conexões e acasos. Perdoe-me por trazê-la ao meu caos. Mais uma vez, eu peço a Deus que a tire de meu coração, que retraia a minha imaginação, pois isso não é dom, é maldição! A cada assoprar do vento, o meu caos transforma tudo num escape para a dor. Vivo em mundos onde o amor vive em sua dualidade fria, às vezes, sombria. Não posso permitir que isso tudo a torture, que meu caos a abrace de forma rude. O meu amor é a máscara da dor, vivo em solidão como se fosse a mão à asfixia, você é o ar que traz vida, luz que apaga a noite sombria. Você foi o delírio duma alma que vaga e ninguém vê, Eu sou o vulto que escreve para ninguém ler... Ricardo Maia  Russiann Poet 

O teatro dos poetas/ um novo diálogo/ 1°ATO/CENA 1

Perguntei à Poesia como faço para lhe esquecer! Ela, de forma clara, respondeu-me que... — "Como você pode esquecer quem traz vida para mim? Como esquecer aquela que me fez renascer do fundo do mar de dores a qual você me lançou? Esquecê-la é a morte para mim, para você, pois escreve para não morrer; escreve para matar o que lhe sufoca, não existimos sem ela, aquela nobre donzela que foi desenhada pelos deuses!" Então, num estado de confusão, com a voz embargada pelas lágrimas, eu sussurro à Poesia: — "Como amá-la sem a ter ao meu lado?" A Poesia, enfurecida, respondeu: — "Lance-se na dor, forjado pela vida, você foi; lute em silêncio pelo amor daquela que nos dá a vida. Se ela não vier, lute pelas ruínas da dor, você foi feito para isso! Escreva, nunca deixe de escrever". Olhando para os céus, só me resta pedir forças para Deus... Ricardo Maia Russiann_poet

Escrevo

Escrevo! Ninguém lê, não se importam de procurar o porquê dos textos de amor. Escrevo o que meu espírito grita, escrevo para ninguém ler, escrevo com sangue para você... Escrevo na esperança de se importar, ao menos, se ler, sorrir com feições bobas ao entender o amor que sai de mim. Escrevo para saber quem você é ao sorrir. Não sei seus traumas, seus medos, o tom de sua voz. Traduzo o seu nome em escritos de amor, detalho seu corpo em palavras. Você é poesia que não se cala, Andrômeda galáxia, universo com um trilhão de estrelas que brilham ao mesmo tempo, isso é a maravilha que entendo! Amarei sem tempo, em meio ao vento, criarei arte ao relento... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Respingos sagrados

Em meus pensamentos mais profundos, eu não consigo imaginar um ato de sexo de nós dois. Pureza vinda dum ser pecador? Acho que não, mas... isto é algo que só consigo definir em poesia... Tentarei explicar; No encontrar de almas predestinadas à vida, a visão se turva ao calar dos olhos que entoam canções ao primorde amor. No encontrar de nossos corpos, ao calar dos olhos, nós nos tornaremos um, ao momento em que eu fizer a travessia ao profundo de seu corpo Com a calma e força do homem ao olhar o seu maior desejo. Quando meu corpo atravessar o seu e penetrar profundamente a sua alma, você será o meu domínio na arte poética do prazer, entoarei poesias ao beijar os lábios de seu ventre num pré-ludio ao amor, nadando em seu rio, molhar-me-ei no interior de seus mistérios. Contarei e beijarei os respingos sagrados pintados por Deus em face de seus seios, sentirei o seu respirar ofegante ao céu chegar, e a nossa geração em vida criar... Ricardo Maia  Russiann Poet 

O pincel

Se eu tivesse um pincel mágico, eu mudaria a cor do sol; eu o pintaria de preto para combinar com a cor de tua alva pele. Transformaria, mudaria o azul do mar por um verde esmeraldas, para contrastar com o castanho de teu olhar. Nas gaivotas do céu, criaria respingos de amor,  uma alusão aos pontos divinos colocados por Deus acima de teus seios. O pincel, o qual deu vida à minha imaginação, jogaria contra o vento; isso iria, de preto, o colorir, e ao soprar, teus cabelos, ele, imitar. De branco, o meu quarto todo seria, para que eu pudesse dormir dentro de ti, a deusa do reino do Norte, todos os dias. Se eu pudesse mudar algo em mim, pintaria as minhas cicatrizes internas que surgiram das batalhas por aquela que vou lutar até o fim... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Por você

E se eu lutar por você? Se eu não desistir desse amor? Amor que acredito, sem que você imagine algo em mim? Posso caminhar em meio às guerras que busquei por amor, batalhas de sangue e dor, sangue que transformo em lúdico, em escrita, mas um sangue que escorre de minhas mãos, calejadas por socos nas lutas da vida, uma luta por um futuro em que haja você! Sabe o futuro? Lá terá paz, diálogo, amor e proteção. Terá prazer em nossa imensidão. Você é mar que eu quero adentrar, nadar, e o prazer encontrar. Nas curvas do seu corpo andar, escrever o texto da vida, e em seu ventre plantar o fruto divino  com suas feições, risos e emoções. Com seus cabelos longos, quero ajudá-la a cavalgar por mundos que jamais imaginou, mundos que me preparo para lhe apresentar quando estiver dentro de seu mar... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Menti...

Menti, tenho que pedir perdão! Menti para mim, menti para você! Sou perverso pecador? Acho que não... Sou apenas um homem que amou alguém que não se importa, alguém que não conhece ou viu, e que, por se sentir envergonhado, mentiu... Jamais criei mundos para lhe amar, eu apenas amei neste mundo! Sou culpado? Em defesa de mim, digo que apenas me defendi da vergonha de amar assim. Não posso desabafar, pois serei envergonhado, tido como fraco. Eu fui, fui fraco perante este amor roupante que me avassala e quebra a minh'alma! A arte, em sua dualidade, fez-me renascer; Nietzsche diz que a verdade pode vir do ruim, do não belo! E assim Deus fez, fez-me renascer do fato omisso da verdade: que eu a amei em vida real, que fiz um plano de vida, revirei o mundo por você. E, sim, se você não aparecer, a minha alma caminhará dilacerada pela realidade, mas sou homem forjado na guerra das ruas, sobreviverei sem você! Perdoe-me por ser um mentiroso... Ricardo Maia, apenas... Russiann Poet não escr...

Uma despedida

Tudo bem, você é a mulher mais linda do mundo para mim, fico embabacado com a sua beleza, quantos não ficam? Acho que até os anjos! Só que há em você coisas que eu nunca vi em ninguém, particulas de particularidades únicas, a cada minuto em que conversei com você, eu descobria um universo único, mágico, sim, você é o Orée, o limite entre o comum e o extraordinário! Entrar em sua vida é o início da felicidade, pois descobri por você que a felicidade é o limiar entre o lúdico e o pragmático! Você é sonhar em realidade, só de você existir, já mudou a minha vida, você abriu um mundo em minha mente, eu tentei dar uma de Deus onde criei universo para você me amar, mas foi você que criou! Você me fez criar um plano de vida! Algo que já tinha perdido! Se terei você ao meu lado? Não sei! Vai que o destino armou algo? Mas se o acaso não deixar, você já será a mulher que mudou a minha vida! Você estará guardada em minha alma, ninguém saberá que eu a amei e criei mundos lúdicos e um real a qual es...

Inevitável

O silêncio diz coisas à alma que vaga sobre a relva. O destino chora, enquanto o acaso distorce o amor; sinais de que nossas vidas estão entrelaçadas em espírito. O amanhecer escuro traz lucidez, o lumiar traz novas esperanças que me destinam a ti. Se o acaso diz que não, a guerra é inevitável! Batalhas perdidas não são o fim... O destino a trará para mim. Russiann Poet Ricardo Maia   

Orée

Percorri a literatura para lhe definir, reli obras de poetas atemporais para entender, mas a minha jornada foi em vão. Em sonhos, percorri mundos para decifrar códigos e fatores que me ligam a você. Na batalha da vida, descobri que: você é fonte de vida à minha imaginação, força longínqua não presente que, de tão forte, ilumina o meu caminho. Como um cervo da floresta negra, protege-me da vida real, amando-me em meus mundos, guiando-me na vida real em meio a caminhos obscuros... Você é o limite entre o lúdico e o pragmático, que traz-me lucidez. O destino, em noite de neblina, buscou dos antigos e sussurrou com a delicadeza de uma flor que, para mim, o seu nome é “Orée”. Do francês antigo: o Lumiar, a borda, o começo da floresta; da realidade: o início do sonho que se torna real. Ricardo Maia  Russiann poet