Amor e ruína
Se eu não a amasse, o que seria de minha poesia?
Escrevo em maldição, criando universos que nunca vivi, ergo muros de castelos no reino das ilusões!
A parte de mim que a ama é inocente perante à realidade,
mas, se não fosse assim, o que seria de minha poesia?
Escrevo o amor inventado em dor para ocultar os pecados que cometi perante aos homens,
um amor que nunca soube viver, por ser, em maldade, habitado.
Castigado, eu fui! Castigado por criar mundos em que você me amava,
mundos em que eu a adorava;
já estavam feitos os votos de nosso casamento em contos de fadas.
Condenado pelo destino, sou prisioneiro de minha própria história!
Viverei a amar sozinho alguém que não se importa.
Eu a amei em vão.
Construirei nosso castelo para viver a dor,
viverei na eternidade dos dias em que não haverá poesia...
Este é o último texto de amor,
melhor dizendo...
Texto de dor.
Ricardo Maia
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