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Ao ar do amanhecer

 Schopenhauer disse que a felicidade é o pequeno intervalo entre a tristeza e o tédio… Nietzsche, com a sua lei do retorno, entendeu que devemos viver o dia como se ele fosse retornar ao amanhecer… Clóvis de Barros diz que a felicidade é aquele curto momento em que gostaríamos que durasse um pouco mais, que gostaríamos que o tempo parasse ali… Eu entendi que a felicidade é o limiar entre o lúdico e o pragmático, em palavras mais claras, sonhar com os pés ao chão… Sonhar com você me faz esquecer as mazelas do caos terreno, purifica-me de toda maldade, sintetiza o bem que não costumo viver… Se eu só tenho você em meus sonhos, recurso-me a acordar… Espero o anoitecer para lhe encontrar, torturo-me ao ar do amanhecer que tira você… Ricardo Maia 

Vislumbre

Em momentos de pequenos vislumbres, sonhos sem firmamentos vêm à minha vida; um acorde é o início do que já desisti, sempre a mesma melodia, o mesmo tom, o mesmo compositor. Meus sonhos solitários são lembranças do que destruí, o meu futuro é o vestígio do que sonhei, são castelos que só se firmam na solidão, é o mar de oportunidades em que você foi apenas um destino em vão... Ricardo Maia  Russiann_poet

Vazio...

Toda vez que tento escrever, o vazio me consome, a dor que alimenta a minha escrita não existe mais, a escuridão preenche toda ferida, já não respiro os textos de amor em dor que criam a minha poesia escrita, o mundo real que se faz à minha frente é o sopro cruel em meus sonhos erigidos em areia à beira do mar. Ricardo Maia  Russiann Poet 

Declínio

Em declínio, um sorriso que nunca existiu; vejo, em neblina, todo amor erigido em rios ilusórios que deságuam em mar de realidade. O mundo real se torna inevitável. A ilusão criada em perfeição de meus mundos mostrou uma linha celestial para buscar numa realidade perversa das ruas em que vivo, esquinas onde o amor é heresia. O que será de minha poesia? Ricardo Maia  Russiann Poet 

Estrangeiro

Sinto-me um estrangeiro, envio cartas sem destino à cidade em que não posso voltar, tranquei-a em nome da lucidez, vivo o mundo real como imigrante em terra hostil. Luto contra mim mesmo para não ultrapassar o limiar da razão, o Orée da floresta que me leva a você... O lugar em que não posso viver... Ricardo Maia  Russiann_poet

Lince negro

Um lince negro, que caça com vigor, vem me consolar. A noite fria, que aquece o meu coração, é o último recurso para me fazer caminhar. A minha visão é turva, nuvens cobrem o meu sonhar, no limiar da felicidade não há mais clareza, a poesia já não é mais a mesma. Jamais imaginaria que acordar de meus mundos seria tão cruel. Cruel comigo Cruel com a poesia Cruel com o lúdico a inventar Sozinho, escrevi coisas que guardei para ti; sem a tua presença vivi, caminhei até aqui. Se me encontrares por aí, ou ouvires o meu nome por lá, saiba que, por ti, lutei e venci... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Prescrita

Tornou-se dor, aquilo que era a solução; jamais imaginei que o seu nome ficaria cravado em meu peito, nome que reluz e afasta o mal. Jamais imaginei ter medo do que há de vir, algo que possa jogar o seu nome num abismo profundo e longe de mim. A falta que o seu escudo de indiferença faz é o laço que me une ao vazio: vazio em filosofia, vazio em amor, vazio em vida sonhada, prescrita em destino que não tenho em mãos. Ricardo Maia  Russiann Poet