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Estrangeiro

Sinto-me um estrangeiro, envio cartas sem destino à cidade em que não posso voltar, tranquei-a em nome da lucidez, vivo o mundo real como imigrante em terra hostil. Luto contra mim mesmo para não ultrapassar o limiar da razão, o Orée da floresta que me leva a você... O lugar em que não posso viver... Ricardo Maia  Russiann_poet

Lince negro

Um lince negro, que caça com vigor, vem me consolar. A noite fria, que aquece o meu coração, é o último recurso para me fazer caminhar. A minha visão é turva, nuvens cobrem o meu sonhar, no limiar da felicidade não há mais clareza, a poesia já não é mais a mesma. Jamais imaginaria que acordar de meus mundos seria tão cruel. Cruel comigo Cruel com a poesia Cruel com o lúdico a inventar Sozinho, escrevi coisas que guardei para ti; sem a tua presença vivi, caminhei até aqui. Se me encontrares por aí, ou ouvires o meu nome por lá, saiba que, por ti, lutei e venci... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Prescrita

Tornou-se dor, aquilo que era a solução; jamais imaginei que o seu nome ficaria cravado em meu peito, nome que reluz e afasta o mal. Jamais imaginei ter medo do que há de vir, algo que possa jogar o seu nome num abismo profundo e longe de mim. A falta que o seu escudo de indiferença faz é o laço que me une ao vazio: vazio em filosofia, vazio em amor, vazio em vida sonhada, prescrita em destino que não tenho em mãos. Ricardo Maia  Russiann Poet 

Caos

Muitos dizem que o conhecimento liberta; às vezes, prende-nos no caos... Isso não é uma crônica, um poema ou uma carta, apenas um desabafo perdido em meio ao mundo de conexões e acasos. Perdoe-me por trazê-la ao meu caos. Mais uma vez, eu peço a Deus que a tire de meu coração, que retraia a minha imaginação, pois isso não é dom, é maldição! A cada assoprar do vento, o meu caos transforma tudo num escape para a dor. Vivo em mundos onde o amor vive em sua dualidade fria, às vezes, sombria. Não posso permitir que isso tudo a torture, que meu caos a abrace de forma rude. O meu amor é a máscara da dor, vivo em solidão como se fosse a mão à asfixia, você é o ar que traz vida, luz que apaga a noite sombria. Você foi o delírio duma alma que vaga e ninguém vê, Eu sou o vulto que escreve para ninguém ler... Ricardo Maia  Russiann Poet 

O teatro dos poetas/ um novo diálogo/ 1°ATO/CENA 1

Perguntei à Poesia como faço para lhe esquecer! Ela, de forma clara, respondeu-me que... — "Como você pode esquecer quem traz vida para mim? Como esquecer aquela que me fez renascer do fundo do mar de dores a qual você me lançou? Esquecê-la é a morte para mim, para você, pois escreve para não morrer; escreve para matar o que lhe sufoca, não existimos sem ela, aquela nobre donzela que foi desenhada pelos deuses!" Então, num estado de confusão, com a voz embargada pelas lágrimas, eu sussurro à Poesia: — "Como amá-la sem a ter ao meu lado?" A Poesia, enfurecida, respondeu: — "Lance-se na dor, forjado pela vida, você foi; lute em silêncio pelo amor daquela que nos dá a vida. Se ela não vier, lute pelas ruínas da dor, você foi feito para isso! Escreva, nunca deixe de escrever". Olhando para os céus, só me resta pedir forças para Deus... Ricardo Maia Russiann_poet

Escrevo

Escrevo! Ninguém lê, não se importam de procurar o porquê dos textos de amor. Escrevo o que meu espírito grita, escrevo para ninguém ler, escrevo com sangue para você... Escrevo na esperança de se importar, ao menos, se ler, sorrir com feições bobas ao entender o amor que sai de mim. Escrevo para saber quem você é ao sorrir. Não sei seus traumas, seus medos, o tom de sua voz. Traduzo o seu nome em escritos de amor, detalho seu corpo em palavras. Você é poesia que não se cala, Andrômeda galáxia, universo com um trilhão de estrelas que brilham ao mesmo tempo, isso é a maravilha que entendo! Amarei sem tempo, em meio ao vento, criarei arte ao relento... Ricardo Maia  Russiann Poet 

Respingos sagrados

Em meus pensamentos mais profundos, eu não consigo imaginar um ato de sexo de nós dois. Pureza vinda dum ser pecador? Acho que não, mas... isto é algo que só consigo definir em poesia... Tentarei explicar; No encontrar de almas predestinadas à vida, a visão se turva ao calar dos olhos que entoam canções ao primorde amor. No encontrar de nossos corpos, ao calar dos olhos, nós nos tornaremos um, ao momento em que eu fizer a travessia ao profundo de seu corpo Com a calma e força do homem ao olhar o seu maior desejo. Quando meu corpo atravessar o seu e penetrar profundamente a sua alma, você será o meu domínio na arte poética do prazer, entoarei poesias ao beijar os lábios de seu ventre num pré-ludio ao amor, nadando em seu rio, molhar-me-ei no interior de seus mistérios. Contarei e beijarei os respingos sagrados pintados por Deus em face de seus seios, sentirei o seu respirar ofegante ao céu chegar, e a nossa geração em vida criar... Ricardo Maia  Russiann Poet