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Russiann Poet

Como explicar para Deus?

Como explicar para Deus que eu a amo? Como explicar que infringi a lei por amor e criei um mundo para uma flor? Só Ele tem tal poder... O poder de criar os céus e a terra. Eu sei... Sou perverso? Por você, quis imitar a Deus, mas... Não havia universo em que eu não a amasse, não existiu um período da história em que você, lá, não estava! Nunca houve um cenário criado em que você sumia, você era uma divindade que me aquecia em noite fria! Como explicar aos meus que criei um amor que pedi para Deus? Como dizer que esse amor apareceu, mas não é meu? Russiann_poet  Ricardo Maia 

Pluralidade

Um vislumbre em mármore de Carrara; obra cética de Nietzsche, feita memória. O escárnio lúdico da obra celestial insufla vida à arte do pobre poeta. Guardo um significado esdrúxulo num museu que reverencia a tua altivez. Sou um poeta singular, conformado à tua pluralidade e à tua rispidez.

Tudo que criei por você

Tudo que criei por você. Você que, em viagem rasa, vaga em meus pensamentos. Destino cruel, que me leva a confabular, em delírio, um amor inexistente e que caminha com as minhas dores nesta ilusão. Traços nítidos de realidades criadas por uma força maior. Força que me fez acreditar que era você a pessoa a qual criou um destino para o fim da escuridão em que mergulhei. Deu-me propósito dentro duma ilusão. Um propósito motivado por você que não existe num mundo real. Destino criado por mim, por minha arte, pelo mundo que construí por você...

Nossas desavenças

Você já não faz parte de meus pensamentos, vida ou sonhos, só que, repentinamente, quando penso no amor que não acredito mais existir, é você que vem à minha mente como sorriso delinquente. Engano-me ao pensar em lhe esquecer, esquecer algo cicatrizado em mim, sonho tatuado em mar revolto de nossas desavenças, amor forjado em proteção que só eu entendi, que vivi à prova de Deus e escondido dos meus... Ricardo Maia  Sovietic_soldier

Ao ar do amanhecer

 Schopenhauer disse que a felicidade é o pequeno intervalo entre a tristeza e o tédio… Nietzsche, com a sua lei do retorno, entendeu que devemos viver o dia como se ele fosse retornar ao amanhecer… Clóvis de Barros diz que a felicidade é aquele curto momento em que gostaríamos que durasse um pouco mais, que gostaríamos que o tempo parasse ali… Eu entendi que a felicidade é o limiar entre o lúdico e o pragmático, em palavras mais claras, sonhar com os pés ao chão… Sonhar com você me faz esquecer as mazelas do caos terreno, purifica-me de toda maldade, sintetiza o bem que não costumo viver… Se eu só tenho você em meus sonhos, recurso-me a acordar… Espero o anoitecer para lhe encontrar, torturo-me ao ar do amanhecer que tira você… Ricardo Maia 

Vislumbre

Em momentos de pequenos vislumbres, sonhos sem firmamentos vêm à minha vida; um acorde é o início do que já desisti, sempre a mesma melodia, o mesmo tom, o mesmo compositor. Meus sonhos solitários são lembranças do que destruí, o meu futuro é o vestígio do que sonhei, são castelos que só se firmam na solidão, é o mar de oportunidades em que você foi apenas um destino em vão... Ricardo Maia  Russiann_poet

Vazio...

Toda vez que tento escrever, o vazio me consome, a dor que alimenta a minha escrita não existe mais, a escuridão preenche toda ferida, já não respiro os textos de amor em dor que criam a minha poesia escrita, o mundo real que se faz à minha frente é o sopro cruel em meus sonhos erigidos em areia à beira do mar. Ricardo Maia  Russiann Poet 

Declínio

Em declínio, um sorriso que nunca existiu; vejo, em neblina, todo amor erigido em rios ilusórios que deságuam em mar de realidade. O mundo real se torna inevitável. A ilusão criada em perfeição de meus mundos mostrou uma linha celestial para buscar numa realidade perversa das ruas em que vivo, esquinas onde o amor é heresia. O que será de minha poesia? Ricardo Maia  Russiann Poet